Poemas de Amor – Almeida Garret

Seguem mais alguns exemplos de Poemas de Amor. Desta vez fizemos uma selecção de alguns poemas do grande Almeida Garret! Os seus poemas são marcados pelo amor, pela presença do mesmo no dia-a-dia de cada um e da forma como estes interagem com as nossas acções rotineiras.

Existem outros poemas que podiamos aqui destacar, mas fizemos a selecção a pensar em nós próprios e escolhemos aqueles que adoravamos receber como presente de dia dos namorados

Este Inferno de Amar

Este Inferno de Amar
Este inferno de amar – como eu amo!-
Quem mo pôs n’alma… quem foi?
Esta cham que alenta e consome,
Que é a vida – e que a vida destrói-
Como é que se veio a atear,
Quando – ai quando se há de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonh talvez… – foi um sonho –
Em que paz tão seran a dromi!
Oh! que doce era aquele sonhar…
Quem me veio, ai de mim! desperatar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei… dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? – Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei…

Almeida Garret

Seus Olhos

Seus olhos … se eu sei pintar
O que os meus olhos cegou …
Não tinham luz de brilhar.
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.

Divino, eterno! … e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, num só momento que a vi,
Queimar toda alma senti…
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.

Almeida Garrett