Poemas de Amor – Florbela Espanca

Os poemas são fantásticas formas de demonstrar o seu amor pela sua cara-metade! Se não sabe ou não tem as qualidades necessárias para escrever os seus próprios poemas, conheça alguns que vamos aqui deixar!

Gostaríamos apenas de pedir para não utilizarem de forma banal estes poemas, pois a sua criação foi feita a pensar no amor, nos namorados e até na forma como o dia dos namorados é festejado! Já agora, como é que vocês costumam mostrar o vosso amor?

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder…
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda…
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca

Teus olhos

Que trazem os meus presos, endoidados!
Olhos do meu Amor! Infantes loiros
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.

Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d’Além-Mundos ignorados!

Enigmáticas campas medievais…
Olhos do meu Amor! Fontes… cisternas…
Jardins de Espanha… catedrais eternas…

Ó meu leito de núpcias irreais!…
Berço vindo do Céu à minha porta…
Meu sumptuoso túmulo de morta!…

Florbela Espanca